BIOCONSTRUÇÃO

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*Este conteúdo é parte integrante de nossa "CARTILHA DE BIOCONSTRUÇÃO", oferecida em nossos cursos.

As informações aqui contidas são frutos de estudos teóricos e de muitos testes práticos, onde constatamos a simplicidade destas técnicas de Bioconstrução, facilitando a autoconstrução, o baixo consumo energético dos materiais empregados, baixo custo, autonomia etc. Podendo-se chegar a um excelente acabamento e grande durabilidade.

Existem casas com mais de 100 anos construídas em Terra Crua! Como em Ouro Preto (Adobe), Pirenópolis (Adobe), Rio de Janeiro (Pau a Pique) etc.  Outros exemplos são a Muralha da China, Shibam, no Iêmen entre tantos outros exemplos pelo mundo.

Infelizmente estes dados não são "corretamente" divulgados nas universidades, por questões econômicas, pois não gera "lucros" para a indústria da construção civil.

 Atualmente, a Terra Crua está cada vez mais sendo aceita para moradias (de classe média e alta) em muitos países industrializados, como França, Austrália, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, e, em menor proporção, em países do terceiro mundo onde casas de terra continuam associadas à pobreza (LOPES E INO, 2004).

Um dos primeiros países a empregar esta tecnologia na arquitetura contemporânea foi o Egito, por meio do arquiteto Hassan Fathy, graduado em 1926 na Universidade do Cairo. Por questões ideológicas, este desenvolveu obras arquitetônicas que permitissem o emprego de técnicas construtivas e de materiais locais não industrializados, como terra, palha e pedra. Baseando-se nos trabalhos de Hassan Fathy, o arquiteto italiano Fabrizio Carola desenvolveu trabalhos em terra crua na África, os tendo iniciado em 1972. A escolha do arquiteto de trabalhar com terra ocorreu devido à dificuldade de importar materiais convencionais como ferro ou concreto, bem como o uso da madeira poderia contribuir para ampliação da desertificação do lugar (GARGIULO et BERGAMASCO, 2006).

EUA e Austrália são os países que possuem o maior número de escritórios e construtoras que trabalham com terra crua. Os Estados Unidos se destacam por possuir uma norma específica para construção em terra. Na Europa, se destacam Inglaterra, França, Alemanha, Espanha e Portugal. Dentre os grandes centros de pesquisa, há o Plymouth University, no Reino Unido, e o CRATerre-EAG, na França (DELGADO et GUERRERO, 2013). Na Alemanha, destacamos o engenheiro Gernot Minke, que vem, desde 1970, desenvolvendo obras em terra crua em diversos países da Europa América do Sul, Central e Índia (MINKE, 2005).
Seu livro é uma referência no assunto: "MANUAL DE CONSTRUCCION EM TIERRA".
Na Espanha e Portugal, que possuem casas tradicionais construídas em terra, nota-se, aos poucos, uma retomada tímida destas tecnologias. Na Espanha, há poucas construções novas feitas em terra, em sua maioria são residências feitas em blocos de solo cimento (DELGADO et GUERRERO, 2013). Em Portugal, as construções contemporâneas em terra crua transitam entre o moderno e tradicional, principalmente na região do Alentejo, em busca de atender aos apelos de sustentabilidade (DA PONTE, 2012). Na América Latina, temos a Rede Ibero-americana PROTERRA, que consiste numa rede Ibero-américana formada por pesquisadores, professores, projetistas e construtores para desenvolvimento e transferência de tecnologia em arquitetura e construção com terra. (NEVES, 2004). Dentre os países que apresentam normatização de construções em terra crua, se destacam Peru e El Salvador (DELGADO et GUERRERO, 2013). No contexto científico, são observadas pesquisas desde os anos de 1970, por pesquisadores turcos da Universidade Tecnológica de Istambul (ISIKA, 2008) e da Pontifícia Universidade Católica do Peru (PUCP) (SILVEIRA, 2014). Porém, somente a partir dos anos 2000, se percebe uma maior atenção dos pesquisadores para o estudo da Taipa (PACHECO-TORGAL ET AL, 2013).

As técnicas construtivas em terra crua são milenares. Em muitos países, como é o caso do Brasil, entraram em desuso no início do século XIX, com advento do cimento portland. A arquitetura de terra chegou ao Brasil através da colonização portuguesa. As principais técnicas empregadas na época foram o adobe, a taipa de pilão e taipa de mão ou pau-a-pique (LOPES ET AL, 2013). A técnica consiste em fazer um painel vertical com madeiras entrelaçadas, e depois jogar o barro sobre esta trama. A taipa de pilão era aplicada somente em edifícios de maior prestígio, como Igrejas e Casas de Câmara ou em residências das classes abastadas (SILVA, 2000). A técnica consiste em socar a terra dentro de uma armação de madeira chamada taipal, uma forma semelhante às utilizadas para moldar peças de concreto. (MONTORO, 1994). O adobe designa uma técnica de construção de tijolos de barro secos ao sol. A técnica consiste em confeccionar blocos em terra crua em fôrmas de madeira e depois e secá-los na sombra. Os tijolos podem ser usados para a construção de paredes, abóbadas ou cúpulas (SILVA, 2000).


*Imagens da internet:

Construção Tradicional na África.


Cozinha de Barro


Taipa de Pilão


Casa de Fardo de Palha revestida com Terra Crua.
*Esta técnica é aceita na Alemanha, inclusive se consegue "Habite-se"(documento que comprova que o imóvel seguiu as exigências legais e código de obras do município).


Alto relevo decorativo com Barro 




Hiper Adobe / Terra Ensacada




Mesquita de DJenné no Mali
Construída no em 1220 e em uso até hoje!
Todo o ano a comunidade se reúne para dar a manutenção.


O grande mestre João!

Blocos de Adobe


Cidade de Shiban, no Iêmem.
Prédios de 8 andares construídos com Terra Crua, no século XVI, em uso até hoje!



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Apesar da facilidade de execução, devemos realizar diversos testes com o solo a ser utilizado e observar atentamente a técnica a ser executada, para poder realizar uma obra de qualidade e durabilidade.
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Bateria de testes que realizamos antes das obras
 Testes de solo para definir o traço (proporção areia/argila)

Teste de resistência



Por que fazer uma Bioconstrução?
Nossa sociedade atual vive um momento único, com abundância de energia gerada pelo petróleo. Há alguns séculos atrás a vida na Terra era muito diferente, embora mais trabalhosa e difícil, a humanidade estava em equilíbrio com a natureza. Com a descoberta do petróleo, a vida diária da humanidade mudou drasticamente, em pouco tempo. Essa mudança trouxe muitos avanços, sendo uns positivos e outros negativos. Atualmente nos encontramos na beira de um colapso ambiental e energético. A extração do petróleo, que é um recurso não renovável, está decaindo enquanto a demanda por ele aumenta a cada dia. Embora este assunto não seja divulgado (por diversos fatores, principalmente econômicos), em poucas décadas não teremos mais esta fonte de energia.

Especula-se muito quanto a fontes alternativas de energia, como o biodiesel, energia eólica, hidráulica, solar etc., porém ainda não temos uma matriz energética que seja realmente capaz de suprir a demanda crescente de nossa sociedade de consumo.

As casas construídas atualmente são totalmente dependentes das energias exteriores (elétrica, gás, água, etc.). Apesar de haverem pesquisas e soluções simples de iluminação passiva, ventilação cruzada, utilização de massa térmica ou isolamento térmico (de acordo com o clima da região), saneamento ecológico, captação de água da chuva etc., pouco se aplica na prática da construção civil. E é claro, isso tem uma raiz profundamente econômica, gerando um monopólio das grandes indústrias e governos, deixando as pessoas cada vez mais dependentes. Junto com isso analisamos o modelo de educação, onde o conhecimento é totalmente fragmentado e desconectado, aumentando a alienação coletiva e, consequentemente, a dependência.

A Bioconstrução vem demonstrar que é possível fazer uma casa confortável, com iluminação natural, sistema de aquecimento solar e/ou a lenha (do ambiente interno da casa e da água), ventilação cruzada (observando os ventos predominantes), estratégias utilizando da vegetação para fazer sombras, quebra ventos, produzir alimentos saudáveis em pequenos locais, captar água da chuva, pois a água que vem das redes públicas estão carregadas de substâncias tóxicas (cloro, flúor, resíduos de agrotóxicos, hormônios femininos e sabe-se lá o que mais...). Ou seja, a Bioconstrução não se limita apenas a construção da casa em si, mas nos faz refletir muitos valores e conceitos de nossa “sociedade moderna”.

Quem será que inventou a “historinha” dos 3 porquinhos, onde o único que se dá bem é o que tem a casa de tijolo e concreto?

Esse ressurgimento de técnicas tradicionais/ancestrais se faz urgente nos dias atuais e em um futuro muito próximo, onde a AUTONOMIA e a COOPERAÇÃO MÚTUA será necessária.

Mas não devemos ver esse retorno de técnicas ancestrais como um retrocesso, mas sim como a união do conhecimento ancestral com as descobertas das ciências modernas em uma síntese do que cada um tem de melhor, rumo a uma sociedade mais humana e integrada com a natureza.

  Realmente uma TECNOLOGIA APROPRIADA", tanto do ponto de vista ecológico quanto do ponto de vista de resistência e ainda com alto índice de Eficiência Energética, saúde e bem estar!


Trabalhando dentro da lógica de ajuda mútua com a natureza e as pessoas o trabalho se transforma em algo que preenche o nosso espírito, ou como diria Johan Van Legen (autor do Manual do Arquiteto Descalço), “O trabalho deixa de ser trabalho e se transforma em deleite!”

Grande inspiração, mas que só poderá ser comprovada na prática!

A PERMACULTURA é uma ciência que une o antigo com o moderno nesta síntese, e desde os anos 70, quando surgiu na Austrália, vem resgatando e desenvolvendo técnicas e modelos comprovados que são muito eficientes para suprir as necessidades para uma vida humana e ambiental saudáveis, englobando assuntos de Agricultura Sustentável e Segurança Alimentar, utilização adequada da Água e Saneamento Ecológico, Bioconstrução, fontes de Energias Renováveis e Tecnologias Apropriadas e aspectos sociais (ecovilas rurais e urbanas).

Atualmente as palavras “sustentabilidade” e “ecologia” estão na moda. Isto tem gerado uma distorção do que é realmente a “sustentabilidade”, pois acabou sendo incorporado para agregar “valor” a produtos e/ou serviços. Muitas vezes, através de uma análise profunda de todo o ciclo de produção ou do modo de atuar da empresa, vemos que não tem nada, ou quase nada de sustentável.


Realmente, nos dias atuais fica muito difícil fazer uma casa que seja 100% sustentável, visto que os produtos disponíveis no mercado da construção civil são, em geral, muito poluentes e tóxicos. Além disso, são produzidos a grandes distâncias dos locais de construção. Porém podemos reduzir os danos drasticamente!


Mas afinal, o que é uma BIOCONSTRUÇÃO?

A Bioconstrução vai além da utilização de materiais menos impactantes ao meio ambiente. Tendo como base a ética e princípios da Permacultura / Planejamento Ecológico, tem o objetivo de criar uma habitação funcional e integrada com os ciclos e padrões naturais locais e com uma arquitetura apropriada ao clima da região.

Além da construção da casa, o Planejamento Ecológico também visa direcionar e organizar a disposição de seus elementos (casa, horta, compostagem, saneamento ecológico etc.) em um terreno urbano ou sítio e suas inter-relações (Planejamento Ecológico), diminuindo o trabalho no dia-a-dia e aumentando a eficiência enérgica das relações entre os elementos da propriedade. Deste modo, aqueles elementos que precisam de maior atenção e manejo ficam próximos da casa e os que precisam de pouco manejo ficam mais afastados. Esta prática é inspirada na observação direta da natureza e suas relações sinérgicas e cooperativas, estimulando na pessoa uma “observação atenta” dos ambientes naturais, de seus ciclos e das suas relações harmônicas.

“Quando se trabalha com a natureza, e não contra ela,
diminuímos consideravelmente o trabalho!”

Algumas “eco-técnicas” utilizadas na Bioconstrução incluem:

-Técnicas construtivas com Terra Crua: Adobe, Hiperadobe, Taipa de Pilão, Pau a Pique, Cob etc;

-Técnicas construtivas com madeira ou Bambu Gigante. Pois se trata de uma matéria prima renovável e de grande resistência e durabilidade, se bem empregada e escolhida a espécie adequada a cada caso;

-Utilização de recursos locais (terra, madeira, pedras etc);

-Autoconstrução, mutirão e mão de obra local;

-Iluminação natural e ventilação cruzada (Arquitetura Bioclimática);

-Saneamento ecológico através de “Jardins Filtradores”, imitando os padrões naturais;

-Aquecimento solar da água;

-Placas de geração de energia solar;

-Captação de água da chuva;

-Telhado verde;

-Hortas caseiras e paisagismo comestível;

-Segurança alimentar: cultivo e resgate das Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC’s), banco de sementes crioulas (polinização aberta) e plantas nativas;

-Compostagem de resíduos orgânicos por composteira ou minhocário (existem kits de minhocários para uso inclusive em apartamentos).



A cooperação é a base social da maioria das sociedades tradicionais e indígenas. A Bioconstrução faz este resgate unindo as pessoas através dos mutirões e gerando autonomia, empoderamento, autoestima, sendo este um de seus principais legados.




Vantagens da construção com Terra Crua:

- A terra crua regula a umidade interna das habitações. O barro tem maior capacidade de absorver e perder a umidade que os demais materiais de construção.

- O barro estabiliza a temperatura no ambiente interior. A terra armazena calor (massa térmica) durante sua exposição aos raios solares e depois perde lentamente quando a temperatura exterior estiver baixa.

- Por ser natural, a terra não contamina o ambiente e economiza energia, utilizando apenas 1 a 5% da energia despendida em uma obra similar de concreto e tijolos cozidos.

- As construções com terra podem ser demolidas e reaproveitadas múltiplas vezes.

- Construções de baixo custo. A construção com barro é relativamente simples, facilitando a auto-construção. Utiliza-se ferramentas simples e materiais não tóxicos, toda família pode participar da obra. As crianças adoram!

- O barro preserva a madeira e outros materiais orgânicos. Dentro das paredes de barro, a madeira fica preservada por sua baixa taxa de umidade, que não passa de 6%. Para fungos e insetos se proliferarem é necessário pelo menos 15% de umidade.


Identificação da terra:
A terra é basicamente uma combinação de areia, argila, silte, pedras e matéria orgânica.
As camadas superficiais do solo contêm quantidades maiores de matéria orgânica e não são apropriadas para construção.
Utilizamos o subsolo para construir.


Função de cada partícula:

ARGILA- Coesão entre as partículas, ela que mantém todas as partículas da terra unidas, sejam areias ou siltes;

AREIA- É a partícula resistente, aquela que trabalha os esforços de compressão, ou seja, a que sustenta a estrutura. Porém sozinhos, os grãos de areia não ficam unidos, função cumprida pela argila;

SILTE (ou “Limo” em espanhol)- partícula intermediária entre a areia e argila, sem função estrutural. Contribui no preenchimento de espaços vazios, dada a grande diferença de tamanho entre a areia e a argila;

MATÉRIA ORGÂNICA- nas terras usadas para construção NÃO DEVE SER EMPREGADA, pois pode decompor-se dentro da estrutura, formando partes ocas dentro da mesma e diminuindo a resistência estrutural.


Outros materiais que podem ser adicionados ao barro:

Palha- é adicionada a terra para aumentar a resistência às tensões (esforços de tração).
Funciona de forma similar aos vergalhões de ferro no concreto.
Também serve como isolante térmico e micro junta de dilatação.

Esterco- utiliza-se preferencialmente o esterco de vaca, mas pode-se usar também o esterco de cavalo e/ou de búfalo. No esterco fresco existe uma bactéria que ajuda na fermentação, mas a acidez residual do estômago contida no esterco não deixa entrar em processo de putrefação. Com o processo de fermentação, ocorre um alinhamento das partículas de argila, que após a secagem confere uma excelente resistência à abrasão. É considerado o cimento natural. Este processo trata-se de uma estabilização química.

Sumo de cactos (Palma)- impermeabilizante e aglutinante natural.
Também confere maior aderência ao reboco e aumenta a união das partículas no barro.



Testes de reconhecimento do solo

Teste de retração

Neste teste observamos como o barro se comporta, em função da retração, de modo a sabermos o percentual ideal de areia/argila na mistura.


Alguns pontos importantes:

As partículas de argila quando misturadas com água tendem a “inchar” (dependendo do tipo de argila esta é mais ou menos expansiva) e após a secagem da parede ou reboco aparecem fissuras, causadas por essa volta ao tamanho normal das partículas de argila.
Já as partículas de areia não aumentam de tamanho em contato com a água.
Se a terra é muito argilosa a tendência é ocorrer grande quantidade de rachaduras, que é estruturalmente ruim, e no caso de um reboco a tendência é de que se desprenda da parede em pouco tempo.
Se adicionarmos um pouco mais de areia nesta terra argilosa veremos que as rachaduras serão menores. Mas também temos que cuidar para não adicionar areia em excesso, nesse caso a mistura não racha mas se esfarela facilmente, o que também não é interessante.
O melhor jeito de saber a proporção ideal de areia/argila de um solo específico é fazer o teste de retração, e observar os padrões de rachaduras, após a secagem das amostras.

Como fazer
Itens:
-solo que queremos testar;
-areia;
-água;
-caderno de anotações e caneta;
-desempenadeira ou colher de pedreiro;
recipiente (pode ser pequeno, um copo por exemplo) para servir de medida.

Escolher uma parede (que não pegue chuva diretamente) para fazer o teste.
Antes de aplicar o barro na parede, com as misturas que queremos testar, devemos molhar a parede, para melhor aderência.
Fazer diferentes proporções de solo + areia+ água (utilizando o recipiente medidor) e aplicar em uma pequena parcela da parede, podendo ser em uma área de aproximadamente 20x20cm e espessura de 1 a 2cm.
Aplicar com a desempenadeira ou colher de pedreiro.
Anotar todas as proporções testadas e numerá-las.
Deixar secar, em aproximadamente 24h, e observar o padrão de rachadura.
Sabemos que uma amostra não serve para nada quando esta apresentar um padrão de rachadura que forma células, o mesmo tipo de rachadura que ocorre em fundo de lagos quando secam.

O ideal é a mistura que apresenta rachaduras pequenas e isoladas.

Exemplos de misturas para testes:

-Teste 1- somente a terra a ser testada;
-Teste 2 - 2 partes de terra + 1 parte de areia;
-Teste 3 - 1 parte de terra + 2 partes de areia.
*Evite colocar muita água. O ideal é que a mistura fique no ponto de massa de pão.



*Os teste do canto superior esquerdo e o inferior direito (foto acima) apresentam um bom padrão de rachaduras.
*O teste que não apresenta rachadura certamente se desmanchará com facilidade, pois falta argila.

Costumamos usar a metade destas misturas/testes para fazer este pequeno reboco/teste e a outra metade fazemos uma "bolacha" de barro, que deixamos secar por uma semana, na sombra e abrigado da chuva, e depois de seco fazemos o teste de resistência do material, quebrando-o.

Uma bolacha que quebra muito fácil e ao ser comprimida entre os dedos se esfarela facilmente falta argila e uma bolacha que demora a quebrar certamente conterá muita argila, e deste modo, a mesma amostra no reboco da parede irá apresentar grandes rachaduras.
Neste teste da bolacha o melhor resultado será o que quebra, mas não esfarela facilmente. Devemos comparar estes dois testes (retração e bolacha) para obter o melhor traço para a mistura de barro.



Para a técnica de Pau a Pique, que utilizamos em nossas Bioconstruções do Espaço Naturalmente, costumamos usar em torno de 15 a 25% de argila e o restante de areia na mistura, adicionando aproximadamente 2/3 de palha em ralação ao volume de barro.

Assista nossa vídeo aula sobre testes de solo: 


História

"A história da construção com terra, a grande variedade das técnicas, e a diversidade de formas passíveis de realizar são deveras surpreendentes. Foi com barro que foram realizadas as primeiras cidades e as primeiras pirâmides, os zigurates. É de terra a maior pirâmide do mundo, a do Sol, em Teotihuacam. Terra foi um dos principais materiais com que se construiu a muralha da China, a maior construção realizada pela humanidade.
Durante quatro quintos da história de nosso país, a terra se constituiu no material de construção mais importante.
Terra é um material brando, que não requer altos investimentos para ser trabalhado. As próprias mãos são suficientes. É muito barato. Aldeias erguidas dois mil anos antes da pirâmide de Quéops ainda estão em bom estado de conservação na Núbia. Os arautos da industrialização desde longa data vêm procurando desqualifica-la como material de construção e, exatamente o contrário, os graves problemas ecológicos criados pela industrialização é que estão ressuscitando as velhas técnicas, as quais tem se mostrado como as mais viáveis em um mundo ecologicamente equilibrado."
(Günter Weimer – Arquitetura Popular Brasileira)

A utilização da Terra Crua como material de construção é muito antiga. Há indícios arqueológicos que datam de mais de 10.000 anos, e que nos dão a entender que a utilização deste material surgiu em cada região de forma instintiva e independente, de acordo com o tipo de solo, clima e local.

-Egito: Adobe

Desenvolveu-se a construção de abóbodas e cúpulas, sem a utilização de formas;
-Leste da África: Taipa de Mão e moldagem direta.
Influência das civilizações vindas do oceano Índico;
-Europa 6.000 a.C.: Taipa de Mão;
-Civilização Grega: Adobe;
-Cretences: Adobe;
-Líbano e Síria: Taipa de Pilão;
-Gália Celtica: Taipa de Mão;
-Jericó 8.000 anos a.C.: Adobe moldado a mão;
-Índia: Adobe;
-China: Taipa de Pilão;
-América Central Pré Colombiana, 500 a.C.: Adobe e Taipa de Pilão (Pirâmide do Sol);
-México (Pueblos): Adobe;
As técnicas de construção em terra utilizadas no Brasil tem muita influência dos Portugueses. Antes dos portugueses chegarem, os povos tradicionais utilizavam distintas técnicas construtivas, dependendo da região e clima. Desde os buracos de bugre, taipa de mão, construções com madeira e palha etc.







Bioconstrução de BAMBU -  Tenda YURT

O Yurt se tornou muito popular no movimento de Permacultura e Ecovilas, pois é simples de construir, tem baixo custo de materiais e por sua mobilidade.

Yurt construído pela equipe da "Naturalmente"
Utilizamos como fundação pneus preenchidos com terra.

Os Yurts têm sido utilizados na Ásia Central por pelo menos três mil anos. A primeira descrição escrita de uma tenda usada como moradia foi gravada por Heródoto de Halicarnasso, que viveu na Grécia entre 484 e 424 aC. 
Heródoto, que é considerado como o pai da história, foi a primeira pessoa no mundo a gravar um relato preciso do passado. Ele descreveu o Yurt como tendas, a morada dos Citas, uma nação que viveu no norte do Mar Negro e região da Ásia Central a partir de cerca de 600 aC a 300 dC. Assim, a Yurt foi descrita no primeiro documento histórico no mundo.

Evidências arqueológicas provam que o primeiro império de guerreiros das estepes da Ásia Central, os Hunos, que eram ativos do 4 º para 6 º século dC, usavam  Yurts como suas habitações principais.
O italiano comerciante Marco Polo foi o primeiro ocidental a visitar o Império Mongol no século 14. Ele escreveu: "... Eles [os mongóis] têm casas circulares feitas de madeira e cobertos com feltro, que eles carregam com eles sobre quatro rodas, onde quer que vão. O quadro de varas é tão ordenadamente e habilmente construído que é leve para carregar. E cada vez que se deslocam com sua casa e arrumam novo lugar para ficar, a porta está sempre voltado para o sul. "

Estas estruturas são conhecidas em muitas partes do mundo por seu nome russo, Yurt, enquanto na Mongólia estas resistentes casas são chamados “GER”.

A tenda tem muitas características únicas que a tornam ideal para servir como moradia para os nômades da Ásia Central, que devem mover-se regularmente e enfrentar severas condições climáticas na maior parte do ano. 

Portátil: Um Yurt é fácil de montar, desmontar e transportar. Dependendo do tamanho, uma tenda pode ser montada ou desmontada em qualquer lugar a partir de 30 minutos até três horas. Após a desmontagem, as várias partes do Yurt eram carregadas em camelos, cavalos e carros de boi para o transporte. 

Os pastores nômades passam pelo menos três ou quatro vezes por ano em busca de boas pastagens, esta característica é de fundamental importância.

Durante os tempos de guerra, antigos guerreiros nômades estavam constantemente em movimento e a portabilidade dos Yurts lhes dava a oportunidade de levar suas casas onde quer que fossem. 

"A História Secreta dos Mongóis", o relato clássico da vida do famoso construtor de império mongol Gengis Khaan, descreveu uma série de eventos relacionados com a Yurt. 

A circulação de ar: 
O Yurt tem uma abertura no centro da cobertura, que é chamada de coroa ou toono.  O ar que vem através dela atinge todas as partes do interior, fornecendo ar fresco para toda casa.

Calor e frio: A temperatura na Mongólia varia de -31 a + 104 graus Fahrenheit (-35 a 40 graus Celsius), dependendo da época. O Yurt é projetada para proporcionar conforto aos seus habitantes, em ambas as condições, quentes ou frias. O fogão a lenha central fornece calor uniformemente por toda a tenda, quando necessário, com camadas extras de feltro acrescentadas em volta da estrutura nos meses mais frios para fornecer isolamento.
Quando é quente, a extremidade inferior da cobertura do Yurt é levantado ligeiramente. Isto aumenta o fluxo de ar dentro, e tem um efeito de arrefecimento agradável. 
Um revestimento é puxado por cima da abertura, na coroa, no calor do verão, para evitar que a luz solar aqueça o interior da tenda. Esta cobertura também é utilizada em dias de chuva. 

Resistência ao vento: As planícies da Mongólia são bastante ventosas. Nas estepes abertas e em regiões desérticas, o vento pode ser forte o suficiente para derrubar qualquer outro tipo de habitação portátil. A forma circular do Yurt é a maneira segura de resistir a estes ventos, independentemente da direção de onde o vento se origine.

Esquema de um Yurt moderno.
Existem empresas Européias que vendem os kits de Yurt.



No Yurt tradicional é utilizado uma peça central que sustenta o telhado.
Antigo Yurt do Espaço Naturalmente, com a peça central do telhado.

Nos Yurts que fazemos atualmente, costumamos utilizar a técnica de "Vigas Recíprocas" para montagem do telhado. 
Optamos pela viga recíproca por ter um custo menor, por dispensar o uso de máquinas (serra circular e furadeira), estética e facilidade de construção.

Vigas Recíprocas - Espaço Naturalmente