BAMBU

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*Aqui estão contidas as informações que disponibilizamos em modelo de "CARTILHA" para os participantes de nossas oficinas sobre Bambu.
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BAMBU: um recurso sustentável e renovável

Vejamos alguns exemplos que conferem este título ao Bambu:
-Depois que um bambuzal atinge sua idade adulta, em torno de 5 a 8 anos, produz colmos (troncos) anualmente;
-Não precisa ser replantado (a extração de madeira é apenas uma “poda”).
Um bambuzal bem manejado pode viver de 80 a mais de 120 anos;
-Brotos para alimentação, rico em proteínas, fibras e substâncias antioxidantes. Pode substituir a extração do Palmito Juçara, ameaçado de extinção;
-Planta perene e rústica que pode ser cultivada em solos com baixa fertilidade;
-Fitorremediação (utilização de plantas como agentes descontaminantes de solo e água) que pode ser utilizada em recuperação de áreas degradadas. O bambu também pode ser utilizado no tratamento de águas residuais de esgotos domésticos;
-Ciclagem de nutrientes (grande produção de biomassa);
-Grande versatilidade de aplicações e usos;
-Excelentes características físicas, químicas e mecânicas.

Frases sobre o Bambu:

“Por se tratar de uma planta tropical, perene, renovável e que produz colmos anualmente sem a necessidade de replantio, o Bambu apresenta um grande potencial agrícola. Além de ser um eficiente sequestrador de carbono, apresenta excelentes características físicas, químicas e mecânicas.
Pode ser utilizado em reflorestamentos, na recomposição de matas ciliares, e também como um protetor e regenerador ambiental, bem como pode ser empregado em diversas aplicações ao natural ou após sofrer um adequado processamento.
Porém o Bambu ainda é pouco utilizado, quer seja pelo desconhecimento de suas espécies, de suas características e aplicações, quer seja devido à falta de pesquisas específicas e à ineficiente divulgação das informações disponíveis.
No Brasil, o uso que se faz do Bambu, excetuando-se a produção de papel, está restrito a algumas aplicações tradicionais, como artesanato, vara de pescar, fabricação de móveis, e na produção de brotos comestíveis (PEREIRA, 2001).”

“O Bambu é o recurso natural que se renova em menor intervalo de tempo, não havendo nenhuma outra espécie florestal que possa competir com o Bambu em velocidade de crescimento e de aproveitamento por área (JARAMILLO, 1992).”

“O Bambu, uma planta predominantemente tropical e que cresce mais rapidamente do que qualquer outra planta do planeta, necessitando, em média, de 3 a 6 meses para que um broto atinja sua altura máxima, de até 30 metros, para as espécies denominadas de gigantes, apresenta uma admirável vitalidade, grande versatilidade, leveza, resistência e facilidade em ser trabalhado com ferramentas simples, formidável beleza do colmo ao natural ou após ser processado, qualidades que lhe têm proporcionado o mais longo e variado papel na evolução da cultura humana, quando comparado com qualquer outro tipo de planta (FARRELY, 1984).”

“O Bambu sempre esteve presente na cultura e na vida diária do homem primitivo de todos os continentes com exceção da Europa que não tem o Bambu na forma nativa.
Nos tempos mais remotos o Bambu era empregado na fabricação de arcos e flechas, habitações, utensílios domésticos, embarcações e outros.
Mais tarde o Bambu foi matéria prima na construção da primeira lâmpada, avião e bicicleta (SALGADO, 1992).”


Estudos realizados no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da UNESP em Bauru mostram que as espécies mais indicadas para o uso estrutural na construção civil são as dos gêneros Guadua (conhecido no Brasil como Taquaruçu), Dendrocalamus (denominado Bambu gigante ou Bambu balde) e Phyllostachys pubescens.


História
A origem do Bambu, segundo Hidalgo Lopes, remonta o final do período Cretáceo e início do período Terciário, por volta de 65 milhões de anos atrás.
Sítios arqueológicos no Equador mostram que o Bambu é utilizado há cerca de 5000 anos na América do Sul, primeiramente pelos indígenas. O artigo do Dr. J.J. Parsons na Geographical Review Vol. 81: “Giant American Bamboo in the Vernacular Architeture os Colombia and Ecuador”, de 1991 é didático no assunto. Pontes, cercas, barricadas, aquedutos e até prisões já foram feitas de bambu da espécie Guadua Angustifolia, preferido dos colombianos e equatorianos.

O Bambu foi e é utilizado das mais variadas formas possíveis, alimentação humana, palitos de dentes e churrasco, palhetas de saxofones, pranchas de surf, skate, como armadilhas para peixes e como Arma de Guerra.

No Quilombo dos Palmares foram usadas Armadilhas de bambu, como arma de defesa, também usavam paliçadas, de forma a impedir o avanço do inimigo.
O bambu por ser biodegradável, quando soterrado, não apresenta a mesma resistência que materiais como; pedra, osso, cerâmica, vidro, chifre, metais, dificultando sua colaboração com a Arqueologia, sendo, portanto muito raro achados de artefatos de bambu, dependem muito das condições do solo e do clima para que cheguem ate nossos dias. Atualmente alguns achados na China estão sendo revelados.

Na lenda do Saci-Perere, ele nasce dentro do colmo do bambu, passa sete anos dentro do colmo, depois sai, e vive setenta e sete anos, durante o dia ele fica dentro do bambu e a noite sai, para fazer suas traquinagens.

A colheita do Bambu no Japão para determinados fins, é realizada com muito respeito, apenas homens com mais de sessenta anos, vestidos todos de branco.
Uma antiga lenda Chinesa diz que, um grupo de sábios fugitivos da ira de um Imperador se refugiou num bambuzal, só que naquela época o bambu era uma planta sagrada na China, acreditava-se que um espírito, o elemental do bambu morava no interior do colmo. Esses sábios, sem ter nada para comer, passaram a comer os brotos do bambu, e utilizá-lo para fazer casas, móveis e todos os utensílios de uma casa. Com a morte do imperador que havia perseguido o grupo inicial de sábios e quando o novo imperador assumiu, já se falava na Cidade de Bambu, então o novo imperador mandou um destacamento procurar a Cidade de Bambu. Quando a encontraram, os habitantes mostraram para os emissários do imperador tudo o que haviam feito com Bambu. Então construíram um barco de bambu e enviaram para o imperador. Este liberou o uso do bambu para se fazer qualquer coisa com ele, passando a ser utilizado de forma irrestrita na China.

Durante o Ciclo das Navegações, principalmente os Portugueses e Espanhóis, introduziram algumas espécies de bambu no Novo Mundo, normalmente provenientes do Oriente.
Algumas dessas espécies se aclimataram muito bem nos países para que foram levadas, no Brasil a mais comum é a Bambusa Vulgaris.
Para denominar esta planta, os indígenas brasileiros empregam, entre outras, as palavras Taboca e Taquara.

No setor da construção civil, o uso do bambu é bastante difundido na Ásia e em outros países da América Latina, como Peru, Equador, Costa Rica e Colômbia, onde vários exemplos de edificações confirmam sua potencialidade.
Vale ressaltar o trabalho dos arquitetos Oscar Hidalgo e Simon Vélez na Colômbia, que pela sua técnica refinada tem difundido o uso adequado do bambu na construção civil.
O importante centro de pesquisa chinês China Bamboo Research Center – CBRC (2001) destacou que a partir dos anos 80 tem havido uma intensificação no uso do bambu em diversas áreas industriais, sobressaindo-se a produção de alimentos, fabricação de papel, além de aplicações em engenharia e na química.

Produtos à base de bambu processado podem substituir, ou até mesmo evitar, o corte e o uso predatório de florestas tropicais, destacando-se, dentre outros, produtos como carvão ativado, palitos, chapas de aglomerados, chapas de fibra orientada (OSB), chapas entrelaçadas para uso em fôrmas para concreto (compensado de bambu), painéis, produtos à base de bambu laminado colado( tais como pisos, forros, lambris), esteiras, compósitos, componentes para construção e habitações, movelaria, dentre outros.

Dos anos 2000 em diante estão começando a ocorrer algumas ações governamentais de apoio ao uso do bambu, como editais de projetos para o financiamento de pesquisa e recentemente um projeto aprovado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) que cria a Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu.

Em relação às propriedades estruturais do Bambu, Janssen (2000) comentou que se forem consideradas as relações de resistência / massa específica e rigidez / massa específica, tais valores superam as madeiras e o concreto, podendo ser tais relações comparáveis, inclusive ao aço.

Os principais centros de pesquisa no Brasil são: PUC-Rio, se destacando na área de construção, estudada pela AMBENTEC, dirigida pelo professor Ghavami e também na área de Desing com o LILD (Laboratório de Investigação de Livre Design) dirigida pelo professor Ripper; IAC – Instituto Agronômico de Campinas, que possui o maior banco de espécies de bambu no Brasil, com cerca de 100 espécies; InBambu em Alagoas e a UNESP.


Botânica

Os Bambus pertencem à família Gramínea e subfamília Bambusoidea , algumas vezes tratados separadamente como pertencentes à família Bambusacea, com aproximadamente 50 gêneros e 1300 espécies, que se distribuem naturalmente dos trópicos às regiões temperadas, tendo, no entanto, maior ocorrência nas zonas quentes e com chuvas abundantes das regiões tropicais e subtropicais da Ásia, África e América do Sul. Os bambus nativos crescem naturalmente em todos os continentes, exceto na Europa, sendo que 62% das espécies são nativas da Ásia, 34% das Américas, e 4% da África e Oceania (HIDALGO LOPEZ, 2003).
São encontrados em altitudes que variam de zero até 4800 metros.
Os tons de cor são variados: preto, vermelho, azul, violeta, tendo o verde e o amarelo como principais.

No Brasil, as espécies nativas são em sua grande maioria enquadradas na categoria de ornamentais, e estão associadas a um meio ambiente específico, como as florestas. A maioria das espécies de bambu que se vê plantadas são exóticas, originárias em sua maior parte de países orientais, de onde foram sendo trazidas e aqui introduzidas desde o tempo do descobrimento, exceção feita ao gênero Guadua, originário da América, sendo muito utilizado na Colômbia e Equador, e possuindo várias espécies nativas no Brasil (PEREIRA, 2001).

De acordo com Figueira & Gonçalves (2004), o Brasil possui 34 gêneros e 232 espécies de
Bambus nativos (174 consideradas endêmicas), sendo considerados 16 gêneros de bambus do tipo herbáceo (ornamental) e 18 gêneros do tipo lenhoso.

Dentre os bambus lenhosos existem 6 gêneros (com 129 espécies) endêmicos, destacando-se os gêneros Merostachys, com 53 espécies; Chusquea (*bambu maciço), com 40 espécies; e Guadua, com 16 espécies.
No Brasil ocorrem 89% de todos os gêneros e 65% de todas as espécies conhecidas na América.

Conforme Azzini & Beraldo (2001), algumas espécies de bambu nativas no Brasil são conhecidas geralmente como: taquara, taboca, jativoca, taquaruçú ou taboca-açú, conforme a região de ocorrência. Essas espécies de bambus ocorrem, de acordo com Filgueiras & Gonçalves (2004), em ambientes de mata, como a Floresta Atlântica (65%), Amazônia (26%), e os Cerrados (9%) servindo como um tipo de cicatrização da floresta quando se processa a retirada indiscriminada das árvores.

Rizoma

É um caule subterrâneo dotado de nós e entrenós com folhas reduzidas a escamas e que se desenvolve paralelamente a superfície do solo. Não deve ser confundido com a raiz que é uma parte distinta da planta.
Os rizomas se reproduzem de outros rizomas mais antigos e permanecem conectados entre si.
Nesta interconexão, todos os indivíduos de um mesmo grupo são descendentes do rizoma primordial, e são, até certo ponto, interdependentes e solidários, pois entre eles há troca de fotoassimilados (energia). Os brotos utilizam as reservas de um grupo para crescerem e brotarem.
Os Bambus do centro do grupo são os mais velhos e os da periferia os mais jovens.
Os Bambus podem ser divididos em seis tipos diferentes de rizomas, sendo três os principais:

Entouceirante (Simpodial)
Alastrante (Monopodial)
Semi-Entouceirante (anfipodial).

Paquimorfo, também denominado entouceirante ou Simpodial, apresenta os gêneros Bambusa e Dendrocalamus como principais representantes. A maior parte destes bambus se desenvolve melhor em climas tropicais, apresentando um crescimento mais lento em temperaturas baixas. Seus rizomas são sólidos, com raízes na sua parte inferior e se denominam paquimorfos por serem curtos e grossos. Os rizomas são dotados de gemas laterais que dão origem somente a novos rizomas.

Leptomorfo, também denominado Alastrante ou Monopodial, são bem resistentes ao frio, tem como representante mais conhecido o gênero Phyllostachys. Os rizomas leptomorfos raramente são sólidos e de um modo geral apresentam diâmetros menores que o dos seus colmos correspondentes. Nos nós dos rizomas encontram-se algumas gemas que permanecem por um tempo ou permanentemente dormentes. Geralmente quando em estado ativo estas gemas brotam e produzem colmos esparsos o que permite caminhar entre eles.

Estes bambus são extremamente invasores, demandando cuidados especiais ao serem cultivados. Tais cuidados referem-se à necessidade de manter a floresta plantada confinada em uma área previamente definida, evitando desta forma conflitos com vizinhos, com as áreas de reserva legal, áreas de preservação permanente e a competição com outras culturas na mesma propriedade. Os bambus leptmorfos podem ser isolados por meio de barreiras físicas como: mantas plásticas, estradas com trânsito regular e cursos d’água. Vale lembrar contudo que não é recomendado o uso dos cursos naturais de água para este fim, uma vez que dado a grande capacidade de estabelecimento das espécies deste grupo, a invasão da mata ciliar seria inevitável. Tal fato além de causar um dano ambiental seria por consequência uma transgressão da legislação ambiental brasileira. 

Anfimorfo, também denominado Semi-Entouceirante ou Anfipodial, possuem rizomas de hábito intermediário ao Paquimorfo e Leptomorfo. Um mesmo indivíduo forma várias touceiras próximas e interligadas pelo rizoma. O seu principal representante é o gênero Guadua, nativo das Américas.

Colmo
O colmo, originando-se de uma gema ativa do rizoma, compõe a parte aérea dos bambus e dá sustentação para os ramos e folhas. Como os bambus não apresentam crescimento radial, o colmo já surge com o seu diâmetro máximo na base e afunila em direção ao ápice assumindo assim a sua forma cônica. Os colmos são segmentados por nós e os espaços compreendidos entre dois nós são denominados entrenós, que são menores na base, aumentam o seu comprimento na parte mediana e reduzem novamente o tamanho na medida em que vão aproximando do ápice.
Os bambus são plantas de rápido crescimento que expressa de forma visível no alongamento dos seus colmos. Na sua fase inicial de crescimento observam-se as maiores velocidades de crescimento do reino vegetal, com algumas espécies gigantes crescendo até 40 cm por dia.

O total desenvolvimento dos colmos (desde o broto até sua altura máxima) se dá em aproximadamente:
4 meses para entouceirantes;
2 meses para alastrantes.

A maturidade dos colmos acontece quando estes atingem 3 anos, para bambus de rizoma paquimorfo (entouceirante) e 5 anos para bambus de rizoma leptomorfo (alastrante).


Florescimento
Em muitas espécies de bambus o florescimento é um fenômeno raro, podendo acontecer em intervalos de até 120 anos. Várias espécies de bambus morrem ao florescer devido a energia desprendida pela planta para a formação de um grande número de sementes.
Porém, nem todo bambu que floresce morre. Ximena Londoño afirma que o gênero Guadua costuma ter sempre um indivíduo florescendo em um dado grupo.

Os bambus apresentam três tipos de florações:
Esporádica -
 ocorre apenas em algumas plantas de uma população sendo que ao florescer a planta ou parte dela morre.

Sincrônica - ocorre simultaneamente em todas as plantas de uma população. Neste caso toda a população poderá morrer. As causas deste tipo de floração continuam sendo um enigma para os botânicos, existindo muitas teorias carentes de comprovação.
A ocorrência simultânea de florações de uma mesma espécie em diferentes locais do mundo é um evento ainda estudado. A teoria mais aceita é que as plantas de um mesmo clone (reproduzidas através de pedaços de uma mesma planta) podem florescer simultaneamente em locais diferentes.

Floração de “stress” - ocorre quando a planta é submetida a uma agressão ou uma forte adversidade ambiental. Neste caso pode ocorrer o florescimento em apenas alguns bambus.

Cultivo
O estabelecimento de uma plantação de bambu demora, em média, de cinco a oito anos, dependendo das condições locais, quando a moita atinge as dimensões características da espécie, como diâmetro, espessura da parede e altura do colmo (KUSACK, 1999).
Porém, uma touceira conterá sempre certa quantidade de colmos com variadas idades, denominados brotos (um ano), jovens (de um a três anos) e maduros (superior a três anos), sendo em média, formados dez novos colmos anualmente, em touceiras que se encontrem estabilizadas.
Não há, ainda, uma concordância sobre a produtividade alcançada pelo bambu (LIESE, 1985), sendo obtidos valores anuais da ordem de 10 t/ha a 30 t/ha.
O colmo de bambu tem sua durabilidade durante certo tempo no bambuzal, pois se trata de uma cultura perene, que se renova ou brota todo ano, com isso o colmo cresce e depois de alguns anos morre. Este tempo pode variar conforme o gênero. O gênero Bambusa dura em torno de 7 anos, já o Dendrocalamus dura de 15 a 20 anos na touceira.

Vantagens para produção de matéria prima para fins estruturais:

Planta rústica que se adapta bem em diferentes climas e solos;
Depois que um BAMBUZAL atinge a maturidade, em torno de 8 anos,
pode-se coletar colmos anualmente;
Com o manejo adequado, não precisa ser replantado.


Manejo
Normalmente o primeiro manejo de uma plantação estabelecida de bambu inicia-se no quarto ano, por meio da retirada e da limpeza dos colmos que nasceram no primeiro ano. No quinto ano se retiram ou se colhem os colmos nascidos no segundo ano, e assim sucessivamente. Como regra geral deve-se colher anualmente somente os colmos maduros, com pelo menos três anos, e os colmos defeituosos ou que iriam congestionar a moita.
O ideal é fazer uma marcação com o ano de nascimento em cada colmo, assim teremos maior precisão na hora de colher os colmos maduros.
Durante a fase de formação, a plantação necessita apenas de capinas mecânicas ou manuais, isto quando o mato estiver crescido. Essa recomendação é necessária até o segundo ano, pois a partir do terceiro já não mais será preciso, já que o bambuzal desenvolver-se-á suficientemente abafando o mato.

Devem ser feitas limpezas periódicas nos bambuzais, para eliminar os caules secos, velhos, com defeitos e quebrados e deixar as touceiras mais arejadas. Tal prática propicia maior recebimento dos raios solares e evita também, na hora da colheita, que o agricultor tenha dificuldades no corte e remoção das plantas melhores.

Segundo especialistas, o mais importante é o raleamento anual da colheita, que consiste em retirar da touceira todos os bambus finos e fracos, que devem ser cortados pela base, pois assim ter-se-á uma touceira mais rala e com maior ventilação, constituída apenas de bambus fortes, espessos e uniformes.

Não é recomendável ainda deixar restos vegetais amontoados nas touceiras, que podem prejudicar o bom desenvolvimento dos novos brotos. Mas nem todos os restos vegetais devem ser retirados, como é o caso das folhas que cobrem o solo, pois servem de adubo, fornecem sílica e impedem a evaporação da água do solo; dessa forma, mantém-se maior umidade e evita-se superaquecimento, causado pela incidência direta dos raios solares.

Quando são bambuzais que já existiam, e que nunca foram manejados, ou apenas cortados esporadicamente, temos que analisar alguns fatores:
-As posições e crescimento de fibras ao longo dos colmos, como a tortuosidade e redução de tamanho (encolhimento, muitas vezes causado pela super população de bambuzal não manejado);
-Adensamento da touceira, verificar se existem colmos de boa qualidade, mas sem disponibilidade de corte;
-A produção real, o que pode ser realmente utilizado;

Cálculo para verificação do bom desenvolvimento do bambuzal
Para saber se realmente o colmo está atingindo uma boa qualidade e se o bambuzal está tendo um bom desempenho, recomenda-se o seguinte cálculo:

Diâmetro do pé do colmo X π X 60
Resultado maior que o colmo, bambuzal de má qualidade;
Resultado menor que o colmo, bambuzal de boa qualidade.
*Cálculo proposto por Ueda (China)


Corte

A moita ou bosque necessita ser podada todos os anos. Assim haverá mais luz para a fotossíntese e mais nutrientes para os colmos restantes.

-Todos os colmos secos e podres devem ser retirados.
-O ponto de corte deve ser logo acima do primeiro nó aparente, rente ao solo.

O corte deve ser bem acima do nó, evitando deixar um “copo”. A água da chuva contida nestes “copos” apodrece o rizoma abaixo da terra.
Usa-se uma serra de poda ou “dente de tubarão” para o manejo adequado. Evitamos usar facões para este tipo de corte, visto que este procedimento poderá trincar o bambu, favorecendo o apodrecimento do rizoma na touceira ou bosque.
Como visto anteriormente, a maturidade dos colmos acontece quando estes atingem 3 anos, para bambus de rizoma paquimorfo (entouceirante) e 5 anos para bambus de rizoma leptomorfo (alastrante).

 Identificação da idade dos colmos de bambu:

*Colmos maduros apresentam fungos e liquens, tendo aspecto de “sujo”.
*Colmos jovens são “limpos” e muitas vezes ainda apresentam um pó esbranquiçado próximo dos nós, proveniente da folha caulinar, que após alguns meses de vida do colmo, se desprende do mesmo.

A colheita de colmos de Bambu deve respeitar a fisiologia da planta
Devemos evitar colher no período em que a planta está emitindo os brotos e os momentos que antecedem esta fase. Nesta hora os colmos maduros estão carregados de carboidratos presentes na seiva, já que durante esta fase os colmos realizam a função de translocar boa parte da seiva, que é produzida na fotossíntese, via rizomas aos brotos, como suprimento energético para seu crescimento. Esse processo de translocação de seiva se prolonga até o momento em que os novos colmos completam o desenvolvimento das estruturas foliares.
Quando os últimos colmos gerados já apresentam superfície foliar suficiente para realizar a fotossíntese é que os colmos maduros podem ser removidos, sem prejudicar o crescimento dos colmos jovens e para a obtenção de colmos com menor quantidade de amido, o alimento de fungos e insetos.

-Entouceirantes (paquimorfos): colheita entre julho, agosto e setembro.
-Alastrantes (leptomorfos): colheita entre os meses de dezembro a maio.
Referente às regiões Sul e Sudeste do Brasil

Estando na época certa do ano deve-se escolher a fase adequada da lua, esta sendo a lua minguante.
Outra atenção especial a ser tomada é a idade do bambu. Para fins de tecelagem ou cestaria usam-se os bambus jovens e imaturos, pela sua flexibilidade. Para fins de construção deve-se usar os bambus maduros, mas não podres, com cerca de 3 a 6 anos, quando atingiram sua resistência ideal.
Para evitar que o bambu “trinque”, devemos furar os diafragmas (membrana que divide os entrenós internamente) logo após o corte. Pode ser feito com barra de ferro ou outro bambu menor.


Cura
O processo de cura consiste na secagem e diminuição da seiva (alimento dos insetos que atacam o bambu) contida no bambu. *Não confundir com tratamento.

->Cura na mata: cortar o colmo de bambu e deixar apoiado encima de uma pedra, no próprio bambuzal, por 30 dias, ainda com as folhas. Durante este tempo o bambu irá transpirar boa parte de sua seiva através das folhas. Também fica mais fácil de retirar os colmos do bambuzal, visto que estes ficarão mais leves (com menos umidade). Não é 100% eficiente.
->Imersão em água: As varas de bambu devem ficar totalmente imersas em água por quatro semanas – o bambu é rico em amido e açúcar que serão eliminados em grande parte (mas não totalmente) com esse banho –, após, devem ser armazenadas na posição vertical, em ambiente livre de umidade e sem incidência direta dos raios de sol nas varas, para uma secagem lenta e natural.
O amido irá degradar-se através de fermentação anaeróbica.
Outro modo muito utilizado para “cura” é ferver o bambu em água. Aconselham-se períodos de 15 a 60 minutos para cada grupo. Porém, as varas curadas com este método ficam mais suscetíveis a trincar.
Método pouco utilizado no meio profissional, embora seja o “tratamento” mais difundido na internet!
->Cura pela ação do fogo: consiste em submeter os colmos ao aquecimento em fogo direto, para eliminar a seiva por exsudação. Com o aquecimento procura-se alterar (degradar) quimicamente o amido, tornando-o menos atrativo ao caruncho.
Essa cura é muito utilizado para colmos de bambu pertencentes ao gênero Phyllostachys. Durante a cura com fogo ocorre o derretimento de uma cera natural presente nas camadas periféricas do colmo. Geralmente essa cera é retirada, ainda quente, com a fricção de um pano. Nestes bambus, obtém-se com este processo, uma coloração parda brilhante, conferindo excelente aspecto estético ao colmo.
No entanto, espécies de bambus entouceirantes, não adquirem tal coloração e nem tal brilho característico.
Com maçarico
Deve-se começar a secagem a partir da base da vara, indo em direção a parte superior. Técnica conhecida como “Penteamento de Fibras”, por alinhar as fibras do bambu.
Utiliza-se fogo baixo, sempre girando o bambu para que seque de forma uniforme.
Este tratamento é indicado para os bambus alastrantes (leptomorfos).

Tratamento

O bambu possui teor de amido relativamente elevado em sua constituição, por isso ele é bastante susceptível ao ataque de pragas. Para se obter maior resistência e durabilidade, principalmente quando destinado à construção, é muito importante que algumas providências sejam tomadas no sentido de otimizar o aproveitamento desse material.
Segundo alguns autores o bambu apresenta vida útil de um a três anos quando não tratado.

->Tratamento Natural - Tanino
Tratamento natural contra fungos e insetos.
Os taninos são componentes polifenólicos distribuídos em plantas, alimentos e bebidas (MAKKAR; BECKER, 1998, SANTOS et al. 1997). De acordo com Zucker (1983), os taninos encontram-se distribuídos em plantas superiores, ocorrendo em aproximadamente 30% das famílias. Eles são solúveis em água e solventes orgânicos polares, sendo capazes de precipitar proteínas (HARTICH; KOLODZIEJ, 1997).
Pode-se extrair o Tanino de forma alternativa através da fervura da casca da árvore, ou através de fornecimento de empresas que tem o processo industrializado de extração, sendo fornecido em liquido concentrado ou em pó para diluição.
Utilizado em larga escala no curtimento do couro.

ÁRVORES EM QUE A CASCA PODE SER APROVEITADA PARA A EXTRAÇÃO DO TANINO:
1. ACÁCIA NEGRA E ACÁCIA MIMOSA;
2. IMBAÚBA-VERMELHA, EMBAÚBA, EMBAÚVA;
3. GRÁPIA, GRAPINHAPUNHA, GARAPA;
4. SUCARÁ, AÇUCARÁ, CORONDA, CORONILHA;
5. BRACATINGA, ABRACATINGA, YBIRÁ-CAÁ-TINGA;
6. CABREÚVA, CABRIÚVA, ÓLEO-PARDO, CABURE;
7. ANGICO, ANGICO-VERMELHO, GURUCAIA, PARICÁ, ANGICO-CAÁ;
8. AMENDOIM, CANAFÍSTULA, GUARACAIA, IBIRÁ-PUITÁ;
9. PAU-JACARÉ;
10. JACATIRÃO, JACATIRÃO-AÇU, CARVALHO-VERMELHO, NHACATIRÃO;
11. CATIGUÁ, CARRAPETA, QUEBRA-MACHADO, CAÁ-TING-NÁ;
12. CAPOROROCA, CAPOROROCA-VERMELHA, CAPOROROCÃO;
13. ARAÇÁ,ARAÇAZEIRO,ARAÇA-DA-PRAIA,ARAÇA-AMARELO
14. CAMBOATÁ-VERMELHO, CUVUTÃ, ARCO-DE-PENEIRA;
15. AÇOITA-CAVALO, IVATINGI, IVATINGUI.
(Lista disponibilizada por Luciano Tizziani em “Tratamento preservativo ecológico de bambus”)

Outras árvores que apresentam elevado teor de taninos totais são a Goiabeira (Psidium guajava: 13 a 17%) e o Araça Pitanga (Psidium runn: 20%).
A Erva Cidreira de arbusto (Lippia alba) possui 20% de taninos totais e apresenta um grande potencial para a extração de tanino, por se tratar de um arbusto e ter rápido crescimento, se comparado às árvores, visto que a coleta da casca de uma árvore, em grande quantidade, acaba por matar a mesma. Devemos plantar a espécie que pretendemos utilizar para extrair o tanino e utilizá-lo no tratamento de bambu, em média ou larga escala.
Em pequena escala poderá ser feito uma poda na árvore escolhida e utilizar galhos e folhas para a produção do chá de tanino.
Este método utilizando o tanino ainda tem poucos dados publicados. Devemos fazer testes práticos para atestar a viabilidade deste tratamento.

Guilhermo Gayo, dirigente do Takuara Rendá no Paraguai, centro de estudos sobre o bambu (www.takuararenda.org) aprendeu essa técnica com os índios do Paraguai. Para produzir o tanino utiliza as cascas e folhas de aroeira pimenteira e cozinha-se com água.
O tanino inibe o ataque às plantas por herbívoros vertebrados ou invertebrados, como o caruncho (diminuição da palatabilidade, dificuldades na digestão, produção de compostos tóxicos apartir da hidrólise dos taninos) e também por micro-organismos patogênicos tais como os fungos (Wikipédia).

Colocar o “chá” de tanino em um balde, extrair a vara do bambuzal, colocando a base dentro de um balde com tanino e deixar o bambu apoiado no bambuzal por 30 dias. Neste tempo o bambu vai puxar o tanino para os colmos. O tanino sobe aproximadamente 5 metros no colmo.


->Tratamento Químico

Solução preservativa indicada (baixa toxidade)
Receita de Jorg Stam:
2,5kg de bórax;
2,5kg ácido bórico;
+ 100l de água.
Dissolver o bórax e o ácido bórico em água no máximo a 80° e depois diluir no restante da água. Essa solução forma o Pentaborato.

*Não recomenda-se utilizar os produtos CCB (boro+sulfato cobre + dicromato) e
CCA (cromo + boro + arsênio) para tratamento de bambus ou madeiras.
O dicromato e o arsênio são altamente tóxicos!


-Bórax: (ação inseticida)
Bórax é um sal, derivado do bora, também utilizado como micronutriente de adubação orgânica.
-Perigos mais importantes: O bórax é um pó branco inodoro, não é inflamável, não combustível, não explosivo e tem baixa toxicidade oral e dermatológica.
-Efeitos do produto: O produto em grande quantidade se inalado pode ser prejudicial às vias respiratórias.
A exposição do produto a pele não é preocupante, pois o produto não é absorvido pela pele.
-Efeitos ambientais: O produto em grandes quantidades pode ser perigoso para as plantas e outras espécies, deve-se reduzir a descarga no meio ambiente.
-Perigos específicos: O bórax é um pó branco inodoro, não é inflamável, não combustível, não explosivo e tem baixa toxicidade oral e dermatológica.
-Principais sintomas: Os sintomas detectados pela alta exposição estão relacionados à ingestão. E podem ocorrer náuseas, vômito, diarreia, com efeitos de vermelhidão e descamação da pele.
-Visão geral de emergências: Remover a vítima ao ar fresco e se tiver dificuldades em respirar procurar ajuda médica.

Formas de utilização das soluções preservativas:

Por capilaridade (ou substituição de seiva)
Logo após o corte do colmo (ou no máximo 12 horas após), imergir a parte basal (base do colmo) em solução preservativa.
Utilizado em peças de 2,5m até 3m.
Pode-se utilizar um tonel de 200l com 3/4 de solução preservativa.
Deixar por 7 dias no tonel, após virar as varas (parte basal para cima) e deixar por mais 3 dias.
Furar o diafragma, para não flutuar.
Depois deixar secar por 2 ou 3 meses.

Boucherie
Consiste em aplicar o produto por pressão. Na parte basal do colmo é conectada uma bolsa, de forma a ficar bem aderida, ligada a um tubo plástico maleável por onde a substância preservativa será transportada, do tambor onde está armazenada para o colmo. Ao passo que a pressão é dada, a substância penetrará pelos vasos condutores do colmo até sair em sua outra extremidade.
A fonte de pressão pode ser por força gravitacional ou por um compressor de ar.
Deve ser aplicado aos colmos de bambu recém cortados, e sem perfuração dos diafragmas do colmo.


Por imerção em solução preservativa
Os colmos são totalmente imersos horizontalmente em tanque com solução preservativa por um período de 10 a 20 dias. O tanque pode ser definitivo de alvenaria, ou temporário, que pode ser uma vala com lona.

Usam-se os bambus ainda verdes, com os diafragmas perfurados.


Livros e apostilas:
-Manual de Construcción con Bambú; Oscar Hidalgo Lópes
-Manual do Arquiteto Descalço; Johan Van Lengen
-Bambu: Cultivo e Manejo; Thiago Greco e Marina Crowberg; Florianópolis 2011. Ed. Insular
-Bambu de Corpo e Alma; Marco A. R. Pereira e Antônio L. Beraldo
-Apostila do curso de capacitação em estruturas de bambu;
Instituto Pindorama, 2012. Facilitação de Bruno Salles